sábado, 27 de dezembro de 2008

estranho (risos) pensar que ele pensava isso quando, na verdade, isso não faz nenhum sentido. relaxa, pois já estamos em outra, beibe.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

12:42 am

Júlia diz:

"Bêbado
bebe
a bebida
para as mágoas afogar
mas de que adianta?
as mágoas
já sabem
nadar"!
Paulo Leminski

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

lembrei quando você dançava estúpido cupido na escola
fazendo biquinho. foi quase doce te ver.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

"Eu sempre achei que o amor, que o grande amor, fosse incondicional, que quando duas pessoas se encontram, quando esse encontro acontece, você pode trair, broxar, azar... todas as porradas. Se for o grande amor, ele voltará triunfal, sempre. Mas não. Nenhum amor é incondicional. Então, acreditar na incondicionalidade do amor é decididamente precipitar o fim do amor. Porque você acha que esse amor agüenta tudo. Então, de um jeito ou de outro, você acaba fazendo esse amor passar por tudo. E um amor não agüenta tudo. Nada nessa vida é assim. Daí, você fala que esse amor não tem fim para que o fim então comece. Um grande amor não é possível. E talvez, por isso, seja grande. Então, assim nele, obrigatoriamente, pode caber também o impossível. Mas quem acredita? Quem acredita no impossível que não apaixonadamente? Como a um Deus. Incondicionalmente."

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"Talvez seja este o problema. Uma vida sem manhãs. Estranho é que não escolhi. Não consigo precisar o momento em que escolhi. Nem isso, nem qualquer outra coisa, nem nada. Foram me arrastando. Não houve aquele momento em que você pode decidir se vai em frente, se volta atrás, se vira à esquerda ou à direita. Se houve, eu não lembro. Tenho a impressão de que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer. O problema é que essa coisa talvez dependa de uma outra pessoa para começar a acontecer."

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Tem doído tanto.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008





the best you ever had
is just a memory
and those dreams
weren't as daft as they seemed

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Hoje eu amarga e resolvi ser má no melhor estilo psicopata de cinema. Já até decidi quem eu vou matar, como eu vou matar e por que eu vou matar. CUIDADO. Porque me finjo de doce quando, na verdade,

sou veneno.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008








Quando eu for rica e famosa
com um copo de champanhe nas mãos
nas festas da sociedade
maquiada, 35 anos, magra
com um séquito de homens apaixonados
sophisticated lady

domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma quase alma gêmea sentou ao meu lado no metrô. Seria tão perfeito. Se não fosse gay. A vida sabe ser cruel, boy.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Tô tão cansada de todas essas brigas e tapas e ofensas e puchões de cabelo e socos e chutes e palavrões e desculpas e agora tá tudo bem meu bem. A rotina sempre cansa, sabe?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Suspirava. E o ar — pesado, carregado de dor — quase não saía dos pulmões. Traduzido em melancolia. Você estavaestáestará tão longe. E ela já não agüenta mais essas tentativas inábeis, incapazes, inúteis de tentar esquecer.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Ele a amava num formato estranho. E eu me perguntava de onde vinha tanto amor se o coração é um órgão muscular oco. oco. oco. Mas se isso aqui... olha, só mais um pouco pro lado esquerdo... se isso aqui é um vazio mecânico, como pode existir tanta dor? Sabe, eu bem que tentei amar uma vez. Não como ele a amava, claro. Este tipo de amor é só para os que sabem amar. Outros, como eu, ficam só com o vazio. Um vazio, que embora vazio, trata de pulsar e dizer que ainda há vida. Sim, aí quase no meio. Isso, pro lado esquerdo. Sente?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ontem eu queria te ligar e contar toda a verdade. Dizer que sim. Que eu fui de outro. Que eu não era pra você. Que o homem da minha vida foi Homem de uma noite só.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

qualquer coisa que me lembre a sua existência deixa o nó na garganta a dor no peito a vida doída dolorida que parece filme noir

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Meu Deus, o que fizeram de mim?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Nas férias, as idéias não mais sub-existem. Agora, elas con-sistem.




Inspiration coming from Amaral.

domingo, 23 de novembro de 2008

Tenta mais tarde. Só consigo pensar em uma coisa:
FÉRIAS

substantivo feminino

dias (pq não meses?!) de suspensão dos trabalhos oficiais (e não-oficiais);
folga;
descanso, repouso.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Se palavras resolvessem problemas,
eu não estaria aqui.
Apenas um cigarro não me faria mais,
nem melhor.
Montar em você me faria feliz.
O que acontece é que meu ser está vazio.
E tudo piora.
Cada vez mais.






Give me a reason to be
a woman
I just wanna be a woman


So don't you stop being
a man

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

saudade de casa de . comida de . colo de . cheiro de . pele de . jeito de . mimo de . carinho de . beijo de . abraço de . proteção de vó. saudade do amor da minha avó.

domingo, 26 de outubro de 2008

Às vezes sinto teu perfume perdido pelo vento. É uma merda. E nem vou tentar pôr isso em palavras bonitas. Elas já se esgotaram. Ou fui eu que cansei?

domingo, 5 de outubro de 2008

Olha, eu prometo que essa semana vou ser forte, tipo gente grande.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pós-modernos dizem:
", cara, que merda! Nada tem mais sentido!"

yeah, nasci na era certa.

domingo, 21 de setembro de 2008

Baby, me dá a mão que eu te levo para o paraíso e a gente não volta mais. Eu juro.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

If that's way it is
Then that's the way it is


Olha só esse dia frio. É quando toda a tristeza do mundo invade meu ser. Escuta o barulho da chuva. Observa o cinza-amargo do céu penetrar por entre as janelas no quarto escuro. Sente o vazio dolorido. O nada desse rosto impassível diante da solidão.

domingo, 14 de setembro de 2008

Por que eu sempre faço tudo tão errado? Por que eu não consigo simplesmente cagar pra essa bosta toda? Explica! Eu tenho pessoas maravilhosas ao meu redor, pelas quais, de verdade, se vale a pena viver. E acho que é isso o que me mantém aqui. Odeio a vida e tudo mais.

domingo, 7 de setembro de 2008

De perto ninguém é normal. Não é assim que diz a letra da música? Acho que, no meu caso, nem de longe eu sou normal. Três situações esclarecedoras que merecem ser passadas para as gerações futuras:

1 - Luana no metrô:
- Lu, conta pro Leo aquele dia!
- Que dia?
- Que você tentou se matar!
- Ah... , aquele dia foi foda. Eu saí de casa de manhã e avisei a minha mãe: "Mãe, não usa a tinta da impressora. Tá acabando e eu tenho que imprimir uns trabalhos pra amanhã!" Quando eu voltei à noite, a poha da impressora não tinha mais tinta. Aí, eu fiquei puta mesmo. Falei que ela ia me dar o dinheiro pra eu imprimir na rua. E ela disse que não. "Você que fique reprovada! Não vai morrer por causa disso não!" Poha, cara. Aí bateu uma raiva. Eu fui até a cozinha pra pegar a faca, gritando "Você não tá vendo. Eu não agüento mais essa vida. Eu vou me matar!" Cara, pra quê?! Ela agarrou no meu pescoço (imitando a mãe), me imprensou na parede e começou a me enforcar. "Garota, você tá acabando comigo. Você vai me matar!" Poha, sai correndo pro meu quarto, me tranquei lá e comecei a rir.

(pessoas desconhecidas no metrô olham pra Luana e riem, algumas gargalham inclusive)

ps: a mãe deu o dinheiro no dia seguinte

2 - Luana e a moedinha na Pavuna
Luana descendo a passarela da Pavuna se depara com uma moeda de R$ 1 perdida no chão. "Oba, achei um real." Passa o pé em cima da moeda. Ela não sai do lugar. Passa o pé novamente. Nada. Abaixa pra tentar pegá-la. A moeda está literalmente colada no chão. Os camelôs ao redor riem e gritam "Ela caiu no truque da moedinha".

3 - Luana filando evento na UFRJ
- Ih, cara! Tá tendo evento aqui no fórum. Tem comida de graça! Caraleo, isso aqui é brownie? Oba! Ih, olha só, Júlia, até o padre tá comendo.
- Garota, aquele ali é o reitor!

sábado, 6 de setembro de 2008

- I'm stuck. Does it get easier?
- No. Yes. It gets easier.
- Oh yeah? Look at you.
-Thanks. [chuckles] The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you. yeah.
- I just don't know what I'm supposed to be, you know? I tried being a writer, but I hate what I write. And I tried taking pictures, but they're so mediocre, you know. Every girl goes through a photography phase. You know, like horses? You know? Take, uh, dumb pictures of your feet.
- You'll figure that out. I'm not worried about you. Keep writing.
- But I'm so mean.
- Mean's okay.

terça-feira, 2 de setembro de 2008


caminho real?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

"Alta Tensão
eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar."

domingo, 31 de agosto de 2008

Era um nome incomum. Do tipo que a gente só vê por aí nos grandes heróis. Ou nas paixões não-correspondidas, romances de pôr-do-sol que doem forte aonde quer que a gente vá. E assim foi. Um sábado, um cinema. Aquela noite não. Ele não estaria lá. Mesmo com todo o frio, com todo o desejo por um corpo que a aquecesse. Entrou na fila da bilheteria. Estava atrasada. Sempre atrasada. O atraso que uma vez tramou o fim. Trágico pra ela, blasé pra ele. No balcão, pegou um papel sem interesse algum, só pra disfarçar o tempo. Falava de um homem forte, mais forte do que tudo isso, feito bicho. Parecia herói. Mas, pra ela, tinha nome de amor platônico.

sábado, 23 de agosto de 2008




terça-feira, 19 de agosto de 2008

Saiu do trabalho às cinco. No ônibus, dormiu para esquecer a vida. Nenhum sorriso, só a angústia dos problemas. Ele não sabia. E doía não saber. Agora, até as pequenas coisas do dia-a-dia o machucavam. Não era um homem ruim. Estava apenas cansado. Essas coisas.

No caminho para casa, segurou a dorzinha de não poder chorar. Passos largos em busca de um refúgio. Na multidão, fantasiou lábios e ternuras. Se ao menos ela estivesse ao seu lado, talvez tudo parecesse mais fácil. Vida de merda. Detestava quando as coisas já não faziam mais sentido. Tudo tão perdido. Tudo tão sem ela.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Biográfico

"Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro."

domingo, 17 de agosto de 2008

ps: deixou o bilhete por debaixo da porta. Era um adeus tipo sei lá. Com palavras magras, essas que doem menos do que quando ditas. O que fazer? Sofreria, sofreriam. Mas a vida era feita assim de desencontros, dissabores. Custava-lhe agora só virar as costas, descer as escadas e ir. Ir para um não-sei-onde, onde o passado não pudesse alcançar, onde as lembranças não existissem. Onde o amor fosse nome de doença crônica, dessas que a gente toma vacina e tudo. Só por medo de amar.

sábado, 16 de agosto de 2008

If you think that a kiss is all in the lips
C'mon, you got it all wrong, man
And if you think that our dance was all in the hips
Oh well, then do the twist

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

caindo de amores pelo Caio.


Para uma avenca partindo

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.


Caio Fernando Abreu, em O Ovo Apunhalado

domingo, 10 de agosto de 2008

''A vida é agora, aprende.''









Ando sem palavras, sem idéias, sem vontade.
ESTÍMULOS. Nervosos, literários, sexuais, de vida.
Qualquer coisa que me faça ir além.

sábado, 9 de agosto de 2008

fugindo um pouco da rebeldia rock and roll

 Vanessa da Mata - Amado

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Entrou no ônibus. Yakult, all star sujo, suéter cinza, Nelson Rodrigues nas mãos. Procurou alguma trilha sonora para a vida. Incrível acreditar que aos 14 queria morrer aos 27. Vinte e sete, idade de Hendrix, Morrison, Joplin e Cobain. Depois então, alguns anos a mais nas costas. Agora, incrível acreditar que se fazia mulher. Ainda uma ultra-romântica. Não sabia da morte. Não pensava no fim. O que lhe importava era viver. E como a vida se pintava de difícil, quando, na verdade, devia ser fácil, fácil. É coisa do humano complicar tudo, forçava-se a acreditar. Mas, naquela instante, não tinha culpa pelo o que a vida lhe fazia. Tolices, estupidez. Palavras ásperas. Pode alguém sentir falta de algo que não é seu? Ela sentia.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Depositório de pensamentos
Idéias à procura
Dois pontos, alguém fala
Eu sou muito menos do que se vê
Pode acreditar que sim
Não sou forte, não sou gente
Eu não sou ninguém
E ninguém me conhece

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sabe qual é o meu maior sonho agora? Dançar bem ali no meio, no cano do metrô. Imagina só. Tudo escurinho. Lingerie de oncinha. E Jack White cantarolando "I just don't know what to with myself" logo atrás de mim. Então eu faço minha cara super sexy, baby. E juro que te arrumo um lugar, arrumo sim.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Domingo até parece fazer rima com reminiscências. O dia mais cinzento da semana, quando a nostalgia resolve cantar os anos que não voltam mais. É isso. A minha noite de domingo foi uma volta ao passado. Eu estava ali sentada na rua, a rua em que nasci, cresci e fiz histórias. E sorríamos ao rever a aurora de nossas vidas.

Lembrei o meu casamento aos oito anos, o arroz, a aliança feita de chiclete e as sessões de Rei Leão com meu primeiro encanto. Lembrei o primeiro beijo, o choque entre os dentes e a mordida nos lábios sem-querer-querendo quando não se sabe beijar. Lembrei o primeiro amor, o aprender a amar e a esquecer. Lembrei os anos rebeldes, as tardes recheadas de licor de damasco com maracujá em que passávamos ao som de Nirvana, os cortes nos braços nos momentos de raiva, o ato suicida envolvendo vodka e novalgina. Lembrei os dias rock and roll em que só queríamos ser cool e tirar um som com nossas guitarras. Lembrei as noites de sueca com os amigos na rua. Amigos que viraram a esquina e não voltaram mais. Pessoas que entraram e saíram da minha vida. Mas que deixaram o que há de melhor, as boas lembranças.

Então eu sorri ainda mais aqui dentro, pois carrego comigo o peso de vinte anos de lembranças. E mesmo os momentos que me pareciam trágicos aos quatorze anos, hoje os vejo como motivo de piada.

Nesse dia, então, eu adormeci sorrindo agarrada às minhas lembranças, sabendo que, daqui a vinte anos, vou sorrir ainda mais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Filosofia de bar

A vida é como um All Star: gasta rápido, rápido.

domingo, 3 de agosto de 2008

"Luana, minha querida, a melhor coisa do mundo é amar. A segunda melhor é viajar, a terceira é comprar e a quarta, comer. Você poderia se perguntar: 'e dormir? não entra na lista?' Mas lembre-se, quando a gente dorme, a vida passa e não se vive! Beijos, a mamãe"

sabedoria de mamãe

sábado, 2 de agosto de 2008

Odeio essa necessidade pungente típica do humano.
Odeio ser humano.
Odeio.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Hoje eu me vi numa tela de cinema. Sim, eu estava lá. Não pelo esmalte vermelho, pela blusa de bolinhas ou pela cerveja na mão. Eu estava lá pelos rabiscos, pela necessidade em escrever, pela busca por respostas. Eu estava lá pelo vazio, pelo peso da solidão. Pelos tropeços, por todo o desamor, a descrença no homem e no mundo. Eu estava lá pela cicatrizes que a vida nos deixa, pela palidez do real. E, muito mais, eu estava lá pelo desencanto que é viver.

quinta-feira, 31 de julho de 2008



Come on you gutless
I'm alive

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Noites sempre iguais. As idéias saltam à mente, ávidas por se materializarem em palavras. E só consigo adormecer depois que elas repousam ali, placidamente, no papel. Outrora em branco, povoa-se de palavras, que nem sempre querem dizer. Querem, na verdade, fazer calar o que já não se entende.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Aspas

Certas 'palavras' que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece: como não fui eu que fiz?

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco."

Memórias de Minhas Putas Tristes, Gabriel García Márquez

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O destino faz o acaso, mas somos nós que fazemos as escolhas.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Clichê, do francês cliché. Em seu sentido figurativo, lugar-comum, chavão. Pois bem. O medo nada mais é do que um clichê. O que poderia ser senão um clichê? Medo, terror, pavor. Não importa sob quais nomes ele se esconda, está sempre aqui, transcendendo tempo e espaço. E a cada dia, então, essa coisa deixa o casulo e ganha vida dentro de mim. Em uma espécie de metamorfose diária. Ontem, era medo da morte. Hoje, medo da vida. Quem sabe, amanhã, medo de não ter medo. Medo de ser grande e perceber que é o medo quem me faz pequena. Medo de, finalmente, me despir de todos os meus medos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Oh, the razorblade, that's what I call love.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Tristeza e solidão, um casal que fizera sua alma de morada.
Aluguel? Casa própria!
Lágrimas como filhas.
E nos dias que saíam a passeio, sentia falta da felicidade que era ser triste.
Ser, não mais estar.
Angústia. Medo. Nos.tal.gia. Visitas constantes.
Pobre alma, morada, humano.
Não era poeta, mas já carregava sua dor.

sábado, 24 de maio de 2008

Conseqüência:

do Lat. consequentia

s. f.,

resultado;
efeito;
inferência;
conclusão;
ilação;
importância;
alcance.

Certos pecados podem até terem sido perdoados, mas isso não significa que suas conseqüências não virão.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sentia-se completamente perdida.
Sofria a ausência, sofria os erros e as falhas.
O desespero de não entender.
Como sentimento algum podia povoar aquele coração, deserto árido e sombrio?
Detestava despir sua armadura de ferro, mostrar-se fraca e vulnerável.
Cerrou então os olhos antes que a última lágrima caísse.
E repetiu a si mesma: "That's just a phase, it's got to pass."

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimunda
não seria uma rima, muito menos uma solução.

Ps: Meu coração nem é tão vasto. Quarto e sala com o aluguel atrasado.

sábado, 10 de maio de 2008

Sonhos grandes e pequenos. Alguns extravagantes do tamanho do mundo. Outros tão miudinhos que quase não se viam. Coloridos e monocromáticos. Sérios e divertidos. Assim, de todos os tipos. Raul gostava de observá-los, ali, sentado em sua poltrona, de frente para a estante, onde os dispunha com o maior cuidado, milimetricamente enfileirados. O rapaz cultivava, desde a infância, um prazer incomum, estranho talvez. Roubava sonhos. Não lhe importavam cor, textura, tamanho. Na verdade, quanto mais diferentes lhe parecessem, mais agradável seria fitá-los como se fossem seus. Sim, na ausência de sonhos próprios, desenvolvera a insólita habilidade de apropriar-se dos sonhos alheios. Sempre, porém, sem deixar-se perceber. E, assim, não importava se pertenciam a outrem, eram como se fossem seus. Na verdade, Raul não entendia que seu mesmo era o sonho de um dia poder sonhar.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

- Dói crescer?
- Depende...
- Como assim?
- Na verdade, são outras coisas que fazem doer.
- Não entendo...
- Bem, é assim: você vive, sofre e aprende. E um dia, então, percebe que cresceu.
- Mas com que altura pára de doer?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Um, dois, três. Respirou fundo. Precisava buscar forças de um lugar que ela sabia não existir. Isto, porém, não impedia que fingisse. Ocultava lágrimas com sorrisos, carregando consigo a solidão e a tristeza de um poeta. E, assim, todos acreditavam que tudo caminhava bem. Embora ela ainda levasse o amargo sabor das lembranças, não podia abandonar o presente por um passado mal-resolvido. Um passado que insistia em persegui-la e assombrá-la. Um passado que resumia sua vida a uma pergunta: quando aquela dor iria cessar?

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dias vazios, ser vazio. Corpos preenchidos pelo tic-tac do relógio. Nada estava bem. Tudo convergia conflitantemente. Atrasos e engarrafamentos. Vozes que não diziam. Vans de sete reais. Adesivos "Eu não amo a minha mulher". E ela se perguntava se tudo ali não era sonho. Os olhos pesados. Perdidos no dilema sono-lágrimas. Só esperando a hora da partida.