sábado, 10 de maio de 2008

Sonhos grandes e pequenos. Alguns extravagantes do tamanho do mundo. Outros tão miudinhos que quase não se viam. Coloridos e monocromáticos. Sérios e divertidos. Assim, de todos os tipos. Raul gostava de observá-los, ali, sentado em sua poltrona, de frente para a estante, onde os dispunha com o maior cuidado, milimetricamente enfileirados. O rapaz cultivava, desde a infância, um prazer incomum, estranho talvez. Roubava sonhos. Não lhe importavam cor, textura, tamanho. Na verdade, quanto mais diferentes lhe parecessem, mais agradável seria fitá-los como se fossem seus. Sim, na ausência de sonhos próprios, desenvolvera a insólita habilidade de apropriar-se dos sonhos alheios. Sempre, porém, sem deixar-se perceber. E, assim, não importava se pertenciam a outrem, eram como se fossem seus. Na verdade, Raul não entendia que seu mesmo era o sonho de um dia poder sonhar.

4 comentários:

Júlia Faria disse...

que profundo! rs
ficou bem legal esse texto!
acho que agora vc está na área certa!
;)

Cinthia Pascueto disse...

Nossa...

Ficou lindo, Dois Pontos...

=)

Flávio disse...

Ahh...pessoa que eu não conheço e que conhece alguns amigos meus...Sonhar é bom né?Não importa muito se é um sonho de outrem. Just do it!!!
XD!!!

leo d. disse...

hum.. a onda dos plogs ta pegando...
mas é um bom plog mesmo assim ;~